quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Sobre vacas & capitalismo
Você tem duas vacas. Vende
uma e compra um touro. Eles
se multiplicam, e a economia
cresce. Você vende o rebanho
e aposenta-se... rico!
________________________________________
CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas. Vende
uma e força a outra a produzir
leite de quatro vacas. Fica
surpreso quando ela morre.
________________________________________
CAPITALISMO FRANCÊS
Você tem duas vacas. Entra
em greve porque quer três.
________________________________________
CAPITALISMO CANADENSE
Você tem duas vacas. Usa o
modelo do capitalismo
americano. As vacas morrem.
Você acusa o protecionismo
brasileiro e adota medidas
protecionistas para ter as
três vacas do capitalismo
francês.
________________________________________
CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas, né?
Redesenha-as para que tenham
um décimo do tamanho de uma
vaca normal e produzam 20
vezes mais leite. Depois cria
desenhos de vacas chamados
Vaquimon e os vende para o
mundo inteiro.
________________________________________
CAPITALISMO ITALIANO
Você tem duas vacas. Uma
delas é sua mãe, a outra
é sua sogra, maledetto!!!
________________________________________
CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas.
As duas são loucas.
________________________________________
CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas. Elas
vivem juntas, não gostam
de touros e tudo bem.
________________________________________
CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas. Elas
produzem leite pontual e
regularmente, segundo
padrões de quantidade,
horário estudado, elaborado
e previamente estabelecido,
de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria
mesmo era criar porcos.
________________________________________
CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas. Conta-as
e vê que tem cinco. Conta de
novo e vê que tem 42. Conta de
novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre
outra garrafa de vodca.
________________________________________
CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas
nenhuma é sua. Você cobra
para guardar a vaca dos
outros.
________________________________________
CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho
de ter duas vacas.
________________________________________
CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas... E
reclama porque seu
rebanho não cresce...
________________________________________
CAPITALISMO CHINÊS
Você tem duas vacas e 300
pessoas tirando leite delas.
Você se gaba muito de ter
pleno emprego e uma alta
produtividade. E prende o
ativista que divulgou os
números.
________________________________________
CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas.
Ai, de quem tocar nelas.
________________________________________
CAPITALISMO ARGENTINO
Você tem duas vacas. Você
se esforça para ensinar as
vacas a mugirem em inglês...
As vacas morrem. Você
entrega a carne delas para
o churrasco de fim de
ano ao FMI.
________________________________________
CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas. Uma
delas é roubada. O governo
cria a CCPV - Contribuição
Compulsória pela posse de
Vaca. Um fiscal vem e lhe
autua, porque embora você
tenha recolhido corretamente a
CCPV, o valor era pelo número
de vacas presumidas e não
pelo de vacas reais. A Receita
Federal, por meio de dados
também presumidos do seu
consumo de leite, queijo,
sapatos de couro, botões,
presume que você tenha 200
vacas e, para se livrar da
encrenca, você dá a vaca
restante para o fiscal deixar
por isso mesmo...
Quem mandou pra mim foi a Yaso! Valeu, fófis!
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
...doeu aqui!
Eu tava desavisada passeando pelo Blip.FM, quando cai nesse radinho AQUI do Gravataí. E dei de cara com essa música e... Lona, beibe! L-O-N-A!
Letra, música e interpretação de chorar ri-os!
Chicão, ficórse!
Valeu, Gravataí!
Chico Buarque
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
* Letra original,vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
terça-feira, 16 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Pitadinhas de delicadeza
Davi, meu sobrinho lindo comemorou os três anos ontem. Eu cheguei na festa e ele estava com febre. Fui dar um beijinho e disse:
- Cachorrinho, vc tá com febre?
- Tia Belinha, eu não sou cachorrinho, sou menino grande.
- ô, meu amor, eu chamo assim de cachorrinho só quem eu amo muito, tá bom?
- Tá bom, cachorrinha.
Caio (6 anos) acorda, na MINHA cama - depois de uma longa labuta na noite anterior pra que dormisse na cama DELE -, olha pra mim e diz:
- Bom dia, mãe! Essa foi uma enganada da boa, hein?
- Ah, mas é muita cara de pau, filhote, era o que me faltava...
- ...enganação BOA, eu disse, mãe, só de amor!
Belinha (10 anos) entra lá em casa e diz:
- Tia, me pinta pra uma festa?
- Claro! Vá se vestir, que depois eu faço sua maquilagem.
(sai correndo e volta num vestido esvoaçante roxo!)
- Belinha, esse vestido é seu?
- Antes não era. Agora é só eu querendo ser minha irmã* um pouquinho.
Postado por Bela às 15:01
Marcadores: Belinha, Caio, crianças, Davi, delicadeza, doçuras, filho, post secret, sobrinho
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Pensamentos partidos
Eu passo muito tempo sem escrever - não que eu faça alguma coisa que preste nesse sentido -, escrever pra mim, no meu canto, sem a exigência da profissão.
Não são temporadas mudinhas, de recolhimento, não. São épocas de esterilidade, quando eu estou, pura e simplesmente. Quando parece que eu me alheio. Fico vendo, de olho parado, a vida acontecendo, dentro e fora de mim.
Estranhamento, desconforto e silêncio. E o que me completa as muitas lacunas são coisas que desde sempre eu uso, as minhas tábuas de salvação: letras, sons, toques, cores, gostos, cheiros, abraços, colos, amores, imagens...tudo de alguém. É uma apropriação mesmo, descarada.
Ai eu vou voltando, em doses homeopáticas, em fragmentos, frases soltas...
Tenho ouvido bastante, olhado muito, falado menos, mas rido de-ma-is. Chorado um pouco, às vezes, mas por só por maus motivos. Pode apostar que são os piores: filmes, livros, olhares e abraços de despedida. Só golpe baixo.
Saudade da Beth. Arrumar um dia pra ligar pra Beth... e ficar hooooras.
De sonho eu nem quero falar...O último foi real, atormentado, um deus-nos-acuda. E longo. Infernalmente longo. Acordei pra engarguelar o marido.
Raiva, indignação e rebeldia são coisas que eu devo abandonar, em prol da minha saúde. Preciso meditar.
Incrível como eu ando morta de amores pelos meus amados de sempre. Deve ser isso que me põe nessa espécie de berlinda, de tempos em tempos.
Em um mês, eu terei um filho de 15 anos...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Consultora from hell ou Agridoce é a mamacita
A pessoa veio aqui, arrumou encrenca com meio mundo. Chateou, azedou o dia de um bocado de gente. E eu? Eu fazendo a egípcia(que minha Tatiamante bem me adestrou), finíssima, no salto.
Na hora da despedida a criatura resolve me chamar pr'uma conversinha. Eu penso que não custa nada, acabou o dia mesmo, ela já vai embora. Respiro, sorrio e topo.
Ela sem medo do inferno, rápida como só ela, certeira, esperta pacax e educada na Suiça, me diz que eu sou agridoce! Sabe aquela coisa cheia de certeza? Definitiva?
Rá rá rá.
...eu olhei de lado e perguntei: você acha, sweety?
é cada uma que me aparece...
E o Patu Fu fez a melhor letra.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Da série: Meu inbox salva meu dia
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.
Postado por Bela às 12:11
Marcadores: email, inbox, marjô, matemática, Millôr Fernandes, poesia
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Entre romãs, cafés, amores e copos de leite
Eu fui lá, beijoquei a autora e levei meu exemplar
'tografado com amor, dos Minúsculos Assassinatos.
Já li, já amei, já to relendo.

eu, minha-Béw e Vuvu-minha,
de meias cinza, vestidos e sapatinhos pretos.

A Inara, minha sócia fundadora da Bestolândia,
figura mais Chuck Norris do planeta,
no momento Mini Hang Loose
com a Nane da Fal - outra delícia cremosa.

Olha essas belezuras, pelamordesantocristo!
Postado por Bela às 20:53
Marcadores: Fal, Falmigas, Lançamento, Livro, MInúsculos Assassinatos, Rocco, São Paulo
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Os Jingles de Gabeira

Cara, você pode não gostar dele, pode não concordar com a plataforma, pode criticar, zoar,
dizer que não esquece o tempo que ele andava c'oas tangas da Leda Nagle, que o Pevê isso, que vc acha estranho o cara fazer campanha de bicicleta na Lagoa, que aquilo outro...uóreva, mai dárlingue... Mas reconheça que você rrramás viu, neste país verde e amarelo, um sujeito fazendo campanha sem tirar você por baixo, sem tratar você como um indigente mental, com tamanha classe, cultura, inovação. E o bom gosto,?
Ele já era, na minha modesta opinião, o cara mais elegante do Congresso (e citando meu pai, mais uma vez, não nos esqueçamos que "a diferença entre a elegância e o verniz é que o último é solúvel em álcool" e em muitos casos em cédulas). Agora, eu fiquei fãzoca da silva sauro. Deu até vontade de votar no Rio.
Entre no site e se a sua pregui não te deixar LER tudo, dê-se ao trabalho de OUVIR os fantásticos Jingles!
Clica na Foto, beibe!
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
África-Bahia

Sérgio Guerra fez a exposição "Salvador Negro Amor", no final do ano passado, pelas ruas de Salvador. Eram centenas de fotos espalhadas pela cidade, em postes, outdoors, muros... Lindas!
Guardei o nome do moço.
Ai, no sábado, eu ouvi isso de meu pai...
O pessimismo é um privilégio dos povos felizes."
É o pórtico do livro de Sérgio Guerra, fotógrafo angolano-baiano, que está reverberando na minha cabeça desde então.
Falando em Angola, quem nunca leu o Agualusa, não pode perder mais tempo.
"As mulheres de meu pai" é maravilhoso!
Falando em África, vai ter Feira de Moçambique, aqui. Acho que em outubro... E quem vem?
Eleições Brasil 2008
Depois das Olimpíadas e durante a cobertura de Paraolimpíadas (que em breve estará no ar!), vamos finalizar a cobertura e o hotsite das Eleições Brasil 2008.
E essa é uma notícia alvissareira!
Blogueiros viram estrelas nas convenções eleitorais norte-americanas
Postado por Carlos Castilho em 20/8/2008 às 11:33:31 AM
Pela primeira vez na história eleitoral dos Estados Unidos, produtores de páginas pessoais na Web receberão tratamento VIP nas convenções que ratificarão os candidatos à sucessão do presidente George W. Bush.
E quem está promovendo a entrada triunfal dos blogueiros no circo eleitoral norte-americano é a empresa Google, que preparou instalações especiais para 500 editores de weblogs acreditados para cobrir a convenção democrata, marcada para a semana que vem, na cidade de Denver, estado do Colorado. É quase 100 vezes mais do que o total de blogueiros credenciados pelo partido na convenção de 2004.
A Google criou uma tenda especial para os autores de blogs com facilidades de fazer inveja aos profissionais da grande imprensa norte-americana. Todos os equipamentos imagináveis estarão à disposição dos blogueiros com credencial, mediante o pagamento de 100 dólares, durante os três dias da convenção.
Mais importante que isto, a Google oferecerá uma conexão especial à internet com mais amplitude de banda do que a disponível pelas emissoras de televisão. O objetivo é tornar quase instantânea a publicação no site YouTube (uma empresa Google) de vídeos produzidos pelos blogueiros, usando câmeras digitais que também serão cedidas aos credenciados.
Tanta generosidade e ostentação tornaram ainda mais intensos os comentários de que a empresa mais valorizada da internet parece decidida a aumentar a sua concorrência com os canais convencionais da mídia, usando os weblogs como instrumento.
A estratégia da Google é oferecer aos produtores independentes de informações as ferramentas digitais necessárias para que eles possam competir com os profissionais. Entre estas ferramentas estão programas como uma coleção especial de mapas eleitorais, com base no Google Maps, e especialmente desenvolvida para a cobertura da campanha eleitoral de 2008.
Além disso, os blogueiros terão à disposição um sistema de transcrição de discursos, chamado Elections Vídeo Search, por meio do qual é possível obter o texto quase ao mesmo tempo em que é pronunciado. Os habitantes da tenda eleitoral da empresa Google também terão ao seu dispor uma versão customizada do programa Google Reader, por meio da qual receberão em seus computadores tudo o que for publicado no mundo sobre os candidatos e as convenções presidenciais norte-americanas.
Está cada vez mais claro que a aposta midiática da Google está no desenvolvimento de ferramentas capazes de fortalecer a blogosfera, habitada hoje por cerca de 120 milhões de blogs, dos quais 20% a 25% se dedicam à coleta de informações variando desde noticias políticas até crônicas pessoais.
Trata-se de uma aposta cuja importância estratégica é enorme, pois está voltada para a futura configuração do ambiente midiático, o ambiente onde circularão os dados, notícias e informações responsáveis pela geração de conhecimentos na era digital.
Para a mídia convencional, é mais um desafio de peso. As próximas convenções eleitorais norte-americanas podem ser um parâmetro de comparação entre a performance de profissionais e de autônomos na cobertura de eventos onde há poucas notícias e muitos rumores de bastidor.
Postado por Bela às 15:57
Marcadores: agência brasil, blogs, blogueiros, China 2008, eleições, EUA
domingo, 24 de agosto de 2008
Fim de semana bãozin mês'!
Ontem, apesar de ter ficado de motorista e rodado, por baixo, uns 100 e tantos km, levando e buscando filhos, eu gostei do dia.
Foi aniversário do Antônio, filho de Dedéia e Paulino, meus amigos queridos. Caio e Antônio são amigos desde sempre, desde a barriga, desde a amamentação, desde a dupla baby blue: eu e Dedéia.
Eles passaram o dia na piscina, correndo, pulando, brincando de carros de colecionador, de pegar, comeram até se fartarem, cantaram parabéns e nos despedimos.
Na saída, Caio vira pro Antônio e diz, bem baixinho:
- Se eu tivesse que fazer uma lista de amigo, você era o primeiro de todos!
Corta pras duas mães ba-bo-nas.
Olha, a gente nunca sabe o que é que vai ser, não é mesmo? Mas essas pequenas esperanças são absolutamente maravilhosas!
+++
Hoje fomos comer num restaurante Paraibano, o Mangai. Bonito, mas en-tu-pi-do de gente. Delicioso. Mas grande demais da conta. Ficou uma sensação estranhíssima. Não sei definir. Não sei se eu volto.
O melhor do dia foi ter pego minha passagem para Sunpaulo!
Meninas, plástico bolha, hein?
+++
Pra começarmos bem a semana, taí um poema da minha ídola herdada, Adélia Prado.
É... A coisa lá em casa é hereditária, beibe.
...essa foi Martha que mandou pra Mani e ficou impossível não postar.
Três mulheres maravilhosas. E que moram no meu coração.
Quatro com minha mãe, no pódio, que me deu Adélia de presente.
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não,
creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.
Adélia Prado






