O tempo continua péssimo, mas eu tenho me divertido horrores com as candidatas à minha secretária do lar.
(É, meu bem, eu disse empregada doméstica aqui, na semana passada, e recebi logo um puxão de orelha politicamente corretivo.)
Olha bem os melhores "momeintos":
Vânia, 25 anos, separada, 1 filho de 5 que é criado pela mãe dela.
Pode dormir, tem referência.
Entrevista toda boa, ela muito fluente, simpática e foi atenciosamente carinhosa com Caio.
No final, eu pedi os documentos dela: carteira de trabalho, carteira de saúde, identidade.
Normal, né?
Lá vem ela: "mas tem uma coisa...eu não lavo... nem passo."
Eu, em conversa autista imediata: sobra pra mim, por supuesto!
A propósito, eu vivo num apartamento de 3 quartos, sala, dependência de empregada...
Os meus dois meninos, eu e marido, mais cachorra Gaia.
Tomamos um café da manhã frugal, não jantamos, lanchamos...ou seja, ela vai fazer almoço e limpar a casa e dormir 17 horas por dia?
Claro que era e-xa-ta-men-te isso que eu tinha em mente.
Lá vem a Ilsiane (diz-se ilziane, por favor) do Piauí.
41 anos, sem filhos, amigada com um sujeito que ficou lá na terra dela.
Cozinheira de mão cheia, nunca tinha entrado num prédio na vida. Elevador?
"Graças a Deus que senhora mora no logo no primeiro piso. Porque eu não entro naquela caixinha lá, de jeito e maneira."
Mas uma simpatia! Fiquei encantada, até que...
"Mas dona, eu antes cuidava era de uma casa com oito quartos. E o quarto de eu dormir era uma casa atrás, com cozinha e até um varandado só pra mim".
E ela deixa claro que eu sou a mais miseravelmente pobre das patroas que ela já viu.
Lá na frente, ela me diz que o namorado ficou lá, mas que eles não se separaram, não.
Eu quero saber como vai ser, operacionalmente falando, isso. E ela me sugere, sorridente, que de 15 em 15 dias ela irá ao Piauí, ver o amado.
Eu tentei explicar que Brasília fica um pouco longe...que Piauí não é Goiânia.
Mas não é que fica longe, o problema. É que eu sou pobre e não posso mandá-la de avião, penso eu, com os meus surpresos e humilhados botõezinhos de classe média.
E atenção: a vaga ainda está aberta!
Increditavelmente, né mesmo?
