terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Um escafandro, uma borboleta e alguns litros de Milk

Tava com uns filmes na minha lista e fiquei ouvindo opiniões conflitantes que só me davam mais vontade de ir assistir. Como eu já tinha aberto os trabalhos com Benjamin Button, não custava manter o ritmo. E lá fomos nós.

Horário e dia pra cinema, na minha vida, só quando a Santa Conicidência permite. Entonces, o que deu pra ver primeiro foi "O Escafandro e a Borboleta", de Julian Schnabel. A história verídica de Jean-Dominique Bauby (Jean-Do), ex-editor da Elle francesa, que sofre um AVC, aos 43 anos, e passa a se comunicar por meio da única coisa que lhe resta: UM olho - e é por ele que veremos todo o resto do filme.




O papel de Mathieu Amalric (Jean-Dominique Bauby) é sem dúvida dificílimo. Eu ficava imaginando quantas horas aflitivas e doídas fisicamente ele deve ter passado durante as gravações e o retiro de silêncio que lhe foi imposto... Mas, pra mim, "O Escafandro e a Borboleta" é um filme de atrizes. Um filme de mulheres pra dizer melhor.

Fotografia belíssima, trilha sonora impecável(trazendo Tom Waits, Velvet Underground e a clássica La Mer, de Charles Trenet, entre tantas outras que eu não identifiquei, mas amei) e uma sensibilidade para retratar mulheres com a delicadeza e o realismo que elas merecem. A fisioterapeuta e a primeira-mulher de Jean - que a minha santa ignorância impede que eu saiba os nomes - orbitam pelo filme, trazendo doses inacreditáveis de paciência, dor, criatividade e amor. As duas juntas são as fundações e a poesia na vida dele depois do acidente. É um filme francês da cabeça aos pés: lento, doído e profundamente belo.



***


Ai pronto. O bichinho do cinema me mordeu (de novo, novamente, mais uma vez) e eu corri pra ver MILK, de Gus Van Sant, na primeira chance que tive.




Sean Penn de Harvey Milk está espetacular! Eu chorei mais do que em todo os outros.

Harvey Milk foi um ativista gay norte-americano, o primeiro a conquistar um cargo político, como meio de defender seus direitos. O comprometimento, a ideologia, a força, a coragem, a retidão e o humor desse cara me tiraram o ar muitas vezes durante o filme. Ele é, além de tudo, absolutamente original, ele mesmo, o tempo todo, em qualquer lugar, até na Câmara, até na desgraça, até na vitória.

Indicado ao Oscar de 2009 em 8 categorias - Melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Sean Penn), melhor ator coadjuvante (Josh Brolin), roteiro original, trilha sonora original, figurino e direção - mesmo que não fosse pelo prêmio e o burburinho que um filme atrai sendo indicado, vale a pena assistir e sair do cinema com aquela sensação de que o que a gente queria mesmo era ter mais Milks no mundo.



Como não se pode deixar o mico passar sem puxar o bicho pelo rabo, a minha amada-inominável-míope-preferida, diz bem alto: "Nossa, como o menino de Studio 54 tá lindo, né? E num envelheceu nadinha!"

E as outras amigas, fofas, doces, que deviam ter lhe dado um pescotapa e perguntado onde raios ela deixou as lentes: "mininaaan, parece muito mesmo. Mas sabe que não é ele?". Sorte dela que eu tava 3 poltronas pra lá.

Mas vejam bem se ela não tinha razão pra confundir:


(Ryan Phillipe, em Studio 54)


(James Franco - o do cantinho -, com Sean Penn, em Milk)

2 comentários:

Cláudio Luiz disse...

Eu vi os dois e outros que deverão entrar na sua lista. (dúvida já está na lista?)
Quanto a Milk, tem detalhes da direção que eu não gosto. Quanto ao Sean Penn, que eu não vou muito lá com a cara, sabendo a imagem de macho, cafajeste, pegador que ele tem ... só dá para achar que ele merece o oscar, pois está fantástico. Em nenhum momento cai no caricato.
E num trocadilho infame... para ser franco, melhor não falar do Franco.
eheheheheh

Ana Paula disse...

Já estreou Milk aí, é? Aqui só semana que vem. E eu peguei o escafandro e a borboleta pra ver em dvd esse fim de semana, olha só.
NÃO PERCA: Dúvida, e Apenas um sonho. Depois vem comentar comigo o que vc achou.
bjks